segunda-feira, 16 de junho de 2025

 COMO UMA PESSOA SURDA PERCEBE O MUNDO 

"VENDO" SONS


Mas como eu poderia integrar o som em meu projeto de pesquisa se o objetivo era acessibilidade cultural com pessoas surdas? Procurei no primeiro momento me posicionar no lugar do outro e perceber como era e se mesmo existia a percepção do som para os surdos, uma vez que sou ouvinte. Acreditava que o som não existia para elas, mas na verdade, o som não deixa de existir só por não ser audível e percebido por alguém, ele está lá. Então, a não percepção desse som acaba por aguçar outra forma de percepção do ambiente e do meio, transposto pela vibração e mesmo pela visualidade das coisas que passam a ter mais importância a partir de uma maior sensibilidade da pessoa surda em relação ao visual.

Sai pela cidade procurando "ignorar" todos os ruídos e informações sonoras. Filmava pensando no que se destacava visualmente caso eu não percebesse o som. Busquei o movimento do vento, dos carros, a luminosidade e alertas visuais. Fui registrando as imagens no formato de vídeo. Aproveitei para registrar pessoas surdas sinalizando na escola que trabalho, que é para pessoas surdas. A forma que comecei a ver as coisas ao imaginar a ausência do som mudou. A forma de entender o mundo, comunicar e existir passou a ser mais visual, detalhes que passariam desapercebidos começam a ter mais destaque.

segunda-feira, 9 de junho de 2025

    Quando Sacks tem contato com a obra do poeta sul-africano David Wright em 1969, ele se depara com a seguinte narrativa do autor: conta que “escuta” o sussurro do vento sempre que vê árvores ou ramos sendo agitados pelo ar.” (SACKS, 1998, p. 11) Na proposta da construção desse vídeo em imagens a ideia é que pessoas ouvintes possam “ver” o movimento do vendo, passos ou os ruídos da cidade. 




 

domingo, 8 de junho de 2025

A importância da comunicação completa: som e imagem

     Considerando as postagens anteriores, pode parecer que o som não tem tanta importância, ou que a imagem é um complemento apenas. Na verdade, ambos tem a mesma importância, o que acontece é que o ser humano se adapta a diferentes situaições e contextos. Observe esse áudio sem a imagem, perceba que é capaz de visualizar e entender quando associado a uma imagem aleatória.


    Agora observe de onde vem o som real junto ao contexto da situação de pagamento com cartão. 






COMUNICAÇÃO: IMAGEM OU SOM
    
    Antes de fazer esse paradoxo entre o ver e o ouvir uma imagem, gostaria de compartilhar duas cenas iguais, uma com o ruído natural da rua e outra com o volume no mínimo. Não digo sem som, pois o som está lá, mesmo que não captado. O que chamamos de deficiência, o não ouvir, pode por vezes ser uma diferença que muitos buscam. A calmaria sem o caos da cidade, a tranquilidade, com todas as cores, movimentos e possibilidades do visual de um lugar. Vejamos agora esssa mesma cena sem a percepção do áudio. 
    
"A existência de uma língua visual, a língua de sinais, e das espantosas intensificações da percepção e inteligência visual que acompanham sua aquisição demonstra que o cérebro é rico em potenciais que nunca teríamos imaginado e também revela a quase ilimitada flexibilidade e capacidade do sistema nervoso, do organismo humano, quando depara com o novo e precisa  adaptar-se.(SACKS, 1998, p.7)




    Que percepção teve? Perdeu algo importante que prejudicou a comunicação pela ausência do áudio? Comente!


 

Para entender como é a vida de um surdo no seu dia a dia com a não percepção do som


         Iniciei o título para comentário deste vídeo, que é uma produção da TV INES, com o intuito de descrever como é a vida de uma pessoa surda sem o som. No entanto, o som não deixa de existir porque ele não é ouvido por esssa ou aquela pessoa, ele está lá. Pode ser sentido, pode vibrar e aguçar a percepção do ritmo e dos ruídos, mas não ainda estará lá. O que acontece, é que quando uma pessoa surda não ouve na totalidade um som, mesmo sendo capaz de perceber a vibração desse som, outros instintos e sentidos são despertados para que a comunicação se faça presente e possível. 
          Neste vídeo o apresentador Renato Nunes mostra como a tecnologia pode ser uma facilitadora na comunicação e acessibilidade de uma pessoa surda. Um exemplo simples do dia a dia é o tocar de uma campanhia. Você escuta o som, entende a comunicação que alguém está chamando na sua porta, vai até lá e abre. 

        Mas para a pessoa surda que não escuta o tocar dessa campanhia? Há inúmeras diferenças como o tocar de um despertador para acordar pela manhã, o som do micro-ondas avisando que a comida está pronta, uma máquina de lavar ao terminar de bater as roupas, e assim por diante. Nessas questões a tecnologia pode ajudar bastante na acessibilidade para a pessoa surda. Quando o porteiro toca a campanhia, ao invés de emitir um som, pode aparecer um sinal luminoso piscando avisando que há alguém chamando, ou ligar o visor de uma câmera e a pessoa surda pode ver quem está chamando na portaria. O casal que serve de exemplo no vídeo de um filho CODA, quando um ouvinte tem pais surdos. Cuidar do bebê também exige algumas adaptações. Uma câmera intalada nos cômodos da casa ajuda a mãe surda a observar o bebê no quarto, por exemplo, quando ela está cozinhando na cozinha. Assim, se ele chocar, ela não vai ouvir, mas ver. Despertar pela manhã no horário desejado também pede adaptações. O celular-despertador em vez de tocar, vibra ao ser colocado na cabeceira da cama que é de madeira. Assim ele percebe a cama vibrando e é só conferir as horas no visor. Para melhor compreender mais sobre a vida das pessoas surdas, vou fazer uma viagem no livro de Oliver Sacks, Vendo Vozes. Vamos lá?

 

sexta-feira, 6 de junho de 2025

    Não poderia de dar continuidade ao projeto de acessibilidade para surdos sem primeiro explicar a escolha do própriao layout do blogger que destaca a cor azul. Esta é uma cor que remete a resistência das pessoas com deficiência, inclusive as surdas, que eram marcadas com uma faixa azul pelo regime nazista durante o período da Segunda Guerra Mundial, o que as identiticavam como uma raçã não-pura. Chega a ser cruel registrar tais lembranças e verdades sobre esse período da história que queremos esquecer, mas é lembrando que não nos esqueceremos, assim espera-se que nunca mais tais atrocidades se repital. 

 


       Para nós ouvintes é difícil imaginar a importância da luminosidade marcando a direção de uma simples seta de carro. O ruído é insistente e logo que acionamos o barulho se mantém persistente até que seja deligado. Mas considere um motorista surdo: já pensou que esta luminosidade piscando na direção indicada é a única forma dele perceber a sinalização? Outras questões como um sinal alto e irritante a indicar o recreio da escola não é percebido pelo aluno surdo, exceto em escolas que possuem acessibilidade e tem em suas salas luzes que piscam indicando que é o horário do lanche ou intervalo entre as aulas. 

    Neste dia dirigindo em um fatídico engarrafamento percebi as nuances que podem ou não serem acessíveis aos surdos. Alguns, como as buzinas, ruído de motos e barulho de um trânsito congestionado é mesmo uma bênção não precisar ouvi-los, nostros casos isso pode dificultar a vida da pessoa que não tem no som um meio de comunicação, mas no visual. 
 

quarta-feira, 23 de abril de 2025

Acessibilidade Cultural para pessoas surdas vai muito além de uma apresentação em Libras, precisamos entender como o surdo vê o som. É isso que pretendo pesquisar aqui. 


Rever esta performance me remete ao processo que vem de encontro ao meu primeio contato com uma das formas de acessibilidade. Mas agora, amadurecendo mais a ideia e compreendendo melhoro universo sonoro e o universo das pessoas que não tem essa vivência, me leva a outras experiências sobre as formas de acessibilidade.


 

Novidades!

DOCUMENTÁRIO FRANCÊS SOBRE O SER SURDO Sou surda e não sabia      Esse documentário me ajudou bastante na compreensão sobre a necessidade de...